O professor emigrante


As declarações do Sr. Primeiro-ministro sobre a possibilidade dos professores poderem emigrar causaram alguma polémica. Entendo que a polémica está desenquadrada da realidade, e se chocou alguém é porque existe um desenquadramento colossal da realidade nacional e uma necessidade deprimente de ouvir o “politicamente correcto”.

A realidade, ainda que feia, é que não existem vagas para tantos professores. Neste cenário, existem três possibilidades alternativas à emigração, para um professor desempregado:

  1.  Dependência do subsidio de desemprego, que muitos nem sequer têm direito, dado que não conseguem fazer descontos consecutivos. (Já nem vou falar do dinheiro que não existe para esses subsídios);
  2. Trabalhar na caixa de um supermercado, o que não me parece uma alternativa interessante para um licenciado;
  3. Passar fome;


Parece-me, também, que, por vezes, sofremos de (in)coerência “feijãofradiana”, dado que muitas vezes defendemos e ficamos orgulhosos das personalidades que vingam lá fora, nas mais diversas áreas e que mantendo-se em terras lusas, nunca passariam da “cepa-torta”. Repliquem o caso do futebol para as outras áreas e é fácil de perceber o que estou a falar.

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