As declarações do Sr. Primeiro-ministro sobre a possibilidade dos
professores poderem emigrar causaram alguma polémica. Entendo que a polémica
está desenquadrada da realidade, e se chocou alguém é porque existe um desenquadramento
colossal da realidade nacional e uma necessidade deprimente de ouvir o “politicamente
correcto”.
A realidade, ainda que feia, é que não existem vagas para tantos
professores. Neste cenário, existem três possibilidades alternativas à
emigração, para um professor desempregado:
- Dependência do subsidio de desemprego, que muitos nem sequer têm direito, dado que não conseguem fazer descontos consecutivos. (Já nem vou falar do dinheiro que não existe para esses subsídios);
- Trabalhar na caixa de um supermercado, o que não me parece uma alternativa interessante para um licenciado;
- Passar fome;
Parece-me, também, que, por vezes, sofremos de (in)coerência “feijãofradiana”,
dado que muitas vezes defendemos e ficamos orgulhosos das personalidades que
vingam lá fora, nas mais diversas áreas e que mantendo-se em terras lusas,
nunca passariam da “cepa-torta”. Repliquem o caso do futebol para as outras
áreas e é fácil de perceber o que estou a falar.
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