"Que se lixem as eleições"

<<Que se lixem as eleições>>, disse Pedro Passos Coelho.
Contextualizando estas declarações o que Pedro Passos Coelho disse foi que não estava a olhar para os resultados eleitorais e que não se importava de perder as eleições porque acredita naquilo que está a fazer. Podemos, distorcer, contorcer e deturpar aquilo que foi dito, mas na realidade não foi mais do que isto.
Noutras circunstâncias esta atitude seria de louvar, dado que uma das criticas aos políticos, desde sempre, é que em vésperas de campanha, lançam duas ou três acções mediáticas e lá ganham as eleições, ganhando novamente legitimidade para fazer tudo o que entendem. O problema não é o que Pedro Passos Coelho disse, ou o que quis dizer, é o que significa para todos nós enquanto Portugueses. As medidas que têm vindo a ser tomadas vão de encontro ao acordado com a troika, mas um governo deve olhar para o que está a fazer, com espírito critico, e adaptar as medidas num formato que permita aliviar as famílias e as empresas e não asfixiar quem já não tem como respirar. Parece-me que estão a tentar meter uma sexta num carro com 5 velocidades e não percebem que no lugar da sexta está a marcha-atrás. Estão a dar cabo da caixa e dizem ao pendura, que a sexta há de entrar.
Não foi isso que Passos Coelho disse, mas é o que significa para nós. Não ficava mal demonstrar um pouco de humildade para quem não se consegue sacrificar mais e um pouco mais de coragem noutros temas que constantemente estão a ficar para trás, como é o caso da privatização da RTP, das parcerias publico-privadas, dos incentivos às empresas e dos incentivos à reconstrução do sistema produtivo nacional.
Enquanto país, precisamos de austeridade e de controlo nas contas públicas, mas tem de afectar todos de forma proporcional.
Da mesma forma que os Portugueses sabiam o que faziam quando elegeram este governo, também vão saber o tempo certo para o deixar cair.

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